A relva sintética começa como grânulos de polietileno ou polipropileno e passa por três etapas principais até se tornar o rolo que chega à obra: extrusão do fio, tufagem na base e revestimento final. Perceber estas três fases explica por que razão dois relvados com números iguais na ficha técnica podem envelhecer de maneira muito diferente.
1. Extrusão do fio
Os grânulos de plástico são fundidos e misturados com aditivos — estabilizadores UV, pigmentos de cor, por vezes agentes que reduzem o aquecimento ao sol — e forçados através de uma matriz sob pressão, formando fios contínuos.
O desenho da matriz decide a secção do fio: plana, em C, em S, em V ou em diamante. Essa forma é o que dá ao fio a capacidade de voltar a levantar-se depois de pisado, e é o fator físico por trás do que a ficha técnica chama memória. Um fio plano dobra e fica dobrado; um fio com nervura central resiste à dobra e recupera.
De seguida os fios passam por um processo de estiramento e torção que alinha as moléculas do polímero e aumenta a resistência à tração. É nesta fase que se define o dtex, ou seja, a massa do fio por cada 10 000 metros. Por fim, os fios são enrolados em bobinas.
2. Tufagem
As bobinas alimentam uma máquina de tufagem, que costura os fios num tecido de suporte — o backing primário — através de centenas de agulhas dispostas em fila. Cada agulha puxa o fio através do tecido e forma um tufo.
A distância entre as filas de agulhas chama-se gauge e é fixa na máquina: 3/8 de polegada e 5/8 de polegada são os valores mais comuns. Combinada com a cadência de avanço do tecido, determina a densidade final em pontos por metro quadrado. Depois de tufados, os fios são cortados à altura definida para o modelo.
| Etapa | O que se decide aqui | Onde aparece na ficha técnica |
|---|---|---|
| Extrusão | Material, cor, proteção UV, forma e espessura do fio | Composição, dtex, tratamento UV |
| Tufagem | Quantidade de fio por m² e comprimento do fio | Gauge, densidade, altura |
| Revestimento | Fixação dos tufos e capacidade de drenagem | Backing, peso total, furos de drenagem |
3. Revestimento final
Por fim, aplica-se o backing secundário — látex ou poliuretano — por baixo do tecido tufado, fixando os fios no lugar de forma permanente. É esta camada que impede a relva de descoser quando é escovada, aspirada ou sujeita a uso intenso.
A quantidade aplicada varia entre fábricas e não aparece em lado nenhum do folheto comercial, mas é o que se mede num ensaio de arranque de tufo — o teste que diz quanta força é preciso para arrancar um tufo do relvado. É também nesta fase que se perfura o backing para a água poder escoar. Ver Backing e Permeabilidade.
Onde se fabrica e porque isso muda o preço
A maior parte da relva sintética vendida na Europa sai de fábricas na Holanda, na Bélgica, em Espanha, na Turquia e na China. A diferença entre origens não está no princípio do processo — é o mesmo em todo o lado — mas no controlo de qualidade de cada lote e na quantidade de aditivo UV que se mistura na extrusão, que é a parte cara e a que ninguém vê.
Há um sinal simples que separa um fabricante de um revendedor: o fabricante indica a tolerânciade cada número. Uma ficha séria não diz apenas densidade 16 800 pontos/m², diz que valor de variação é aceite entre lotes. Quando a ficha só traz números redondos e nenhuma tolerância, é quase sempre uma ficha comercial e não uma ficha de fábrica.
Do rolo ao terreno
O produto sai da fábrica em rolos, tipicamente de 2 ou 4 metros de largura e até 25 metros de comprimento, enrolados sempre no mesmo sentido. Esse sentido importa na obra: todos os rolos têm de ser assentes com a fibra inclinada para o mesmo lado, ou a diferença de reflexo da luz faz parecer que são duas relvas diferentes. É um dos erros mais frequentes de quem instala pela primeira vez — ver erros comuns na instalação.
Os rolos também precisam de aclimatação: estendidos algumas horas ao sol antes de serem cortados e fixados, para que o backing relaxe e as dobras do transporte desapareçam. Cortar e colar um rolo ainda tenso é o que provoca vincos permanentes e juntas abertas meses depois. Ver como se instala relva sintética.
Um processo de fabrico bem controlado — sobretudo a qualidade da extrusão e a fixação do backing — pesa tanto na durabilidade final quanto os números isolados de dtex ou densidade. Uma relva com boas especificações mas mal fabricada perde fibra e degrada-se mais depressa do que os números prometem. A forma prática de se proteger disto é exigir a ficha técnica do fabricante e a garantia por escrito, e não a ficha do revendedor.
Todos os modelos em produtos indicam composição, densidade e garantia do fabricante. Se quiser que expliquemos as diferenças aplicadas ao seu caso, fale connosco pelo WhatsApp ou peça um orçamento.
