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Os componentes de um relvado sintético

Quatro camadas, cada uma com uma função distinta — perceber isto é o que permite ler qualquer ficha técnica sem ficar dependente do vendedor.

Um relvado sintético não é uma peça única — é um conjunto de quatro camadas sobrepostas, cada uma com uma função própria. De cima para baixo: a fibra, o backing primário, o backing secundário e, na maioria dos modelos, um enchimento. Quando um relvado falha antes do tempo, falha quase sempre numa camada específica, e saber qual é o que distingue uma reclamação fundamentada de um desgaste normal.

Fibra: a parte que se vê

É o fio que imita a folha da relva natural e a única camada que o cliente toca. Fabrica-se normalmente em polietileno ou polipropileno (ver tipos de fibra) e determina o aspeto, a cor, a maciez e a forma como o relvado se comporta quando é pisado.

Três números da ficha técnica descrevem esta camada. A altura, em milímetros, é o comprimento do fio depois de cortado. O dtex mede a espessura do próprio fio. A densidade conta quantos pontos de fio existem por metro quadrado. Os três juntos explicam por que razão dois relvados com a mesma altura podem ter um preço e uma durabilidade completamente diferentes.

Backing primário: a tela onde tudo assenta

É o tecido de suporte — normalmente polipropileno ou poliéster — onde a fibra é tufada, ou seja, costurada em tufos por centenas de agulhas. Funciona como a tela sobre a qual todo o relvado é construído, e é a estabilidade dimensional deste tecido que impede o rolo de encolher ou de esticar com o calor depois de instalado.

Em relvados de qualidade, o backing primário é composto por duas ou três folhas sobrepostas, o que aumenta a resistência ao arranque dos tufos. É um detalhe que raramente aparece no folheto comercial mas está sempre na ficha técnica do fabricante.

Backing secundário: onde a maioria dos problemas começa

É a camada de revestimento aplicada por baixo do backing primário para fixar os tufos no lugar. Sem ela, a fibra sairia com a escovagem e com o uso. Existem dois materiais no mercado e a diferença entre eles é a mais importante de toda a ficha técnica:

Backing secundárioCustoComportamento com humidadeOnde faz sentido
LátexMais baixoAbsorve água; degrada-se com ciclos de humidade e temperaturaZonas cobertas, uso leve, orçamentos apertados
Poliuretano (PU)Mais altoNão absorve água; mantém a colagem muito mais tempoExterior exposto, piscinas, zonas de uso intenso

É também no backing secundário que estão os furos de drenagem, feitos de fábrica com um espaçamento de poucos centímetros. São eles que permitem à água da chuva atravessar o relvado e chegar à base. Detalhe completo em Backing e em Permeabilidade.

Enchimento: a camada que quase ninguém vê

Nem todos os modelos precisam, mas a maioria dos relvados instalados no solo leva um enchimento espalhado entre a fibra depois da colocação: areia de sílica, granulado de borracha ou alternativas orgânicas. Faz três coisas ao mesmo tempo — dá peso ao rolo para que fique assente, mantém a fibra direita e ajuda o sistema a escoar.

Num jardim residencial, a areia de sílica resolve. Em campos desportivos, o sistema é mais complexo e combina areia com granulado para dar amortecimento ao jogador. O detalhe por aplicação está em Enchimentos e em Granulado desportivo.

Onde isto aparece na ficha técnica

Densidade, dtex e altura descrevem a fibra; o campo backing descreve o suporte; o peso total soma tudo, e por isso sozinho não diz quase nada. Um relvado pesado pode sê-lo por ter muito látex barato em baixo, e não por ter mais fibra em cima. Ver Peso e Como ler uma ficha técnica.

Como estas camadas aparecem no preço

A diferença entre um rolo de 5 € e um de 24 € por m² está quase toda em duas camadas: o material e o tratamento da fibra, e o backing secundário. As gamas de entrada poupam onde não se vê — látex fino, fibra de polipropileno sem tratamento UV reforçado — e é por isso que o desgaste aparece ao terceiro ou quarto verão. Pode comparar as gamas disponíveis em produtos, onde cada modelo mostra a composição e a garantia do fabricante.

Não sabe que composição precisa para o seu espaço

A escolha da camada certa depende do uso, da exposição solar e da drenagem que já existe no terreno. Fale connosco pelo WhatsApp ou peça um orçamento e indicamos a composição adequada antes de haver qualquer compromisso.

Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas sobre o assunto

Quantas camadas tem um relvado sintético?

Quatro, contando o enchimento: a fibra visível, o backing primário onde a fibra é costurada, o backing secundário que fixa os tufos por baixo, e o enchimento de areia ou granulado espalhado entre os fios. Há modelos sem enchimento, sobretudo para varandas e terraços.

Qual é a camada que costuma falhar primeiro?

O backing secundário. Quando é de látex e fica exposto a água parada e a grandes variações de temperatura, degrada-se ao fim de alguns anos e os tufos começam a soltar-se. O poliuretano custa mais e não absorve humidade, por isso aguenta mais tempo.

A relva sintética deixa passar a água?

Sim. O backing secundário é perfurado de fábrica, com furos espaçados poucos centímetros. A água atravessa a relva e escoa pela base preparada por baixo. Se o terreno não drenar, a água fica retida independentemente da qualidade da relva.

Como se compara a qualidade de dois relvados pela ficha técnica?

Olhe para os quatro campos que descrevem camadas diferentes: dtex e densidade descrevem a fibra, a altura descreve o corte, o campo backing diz o material do suporte e o peso total soma tudo. Comparar só o preço por m² ou só a altura leva quase sempre à escolha errada.

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