A relva sintética desportiva distingue-se da decorativa em três pontos: fibra mais alta e mais resiliente, enchimento que a mantém de pé e amortece o impacto, e ensaios normalizados que medem absorção de choque, ressalto da bola e deslize (norma europeia EN 15330-1). Para futebol de 7/8 (society), o padrão de mercado é um sistema 3G de 40 a 60mm.
3G e 4G, em duas linhas
Um sistema 3G combina fibra alta com areia de estabilização e granulado de borracha — é a configuração dominante em campos society, multiuso e de ráguebi de treino. A 4G é mais densa e foi desenhada para funcionar sem granulado, mas não tem ainda uma normalização equivalente, o que significa mais variação entre fabricantes. O detalhe está em gerações 2G, 3G e 4G explicadas.
Altura de fibra e dtex por modalidade
A altura da fibra manda no amortecimento e no comportamento da bola. O dtex — o peso do fio por 10 000 metros — manda na resistência ao pisoteio: quanto maior, mais matéria-prima tem cada filamento e mais tempo a fibra resiste antes de deitar.
| Modalidade | Altura da fibra | Dtex de referência | Enchimento |
|---|---|---|---|
| Futebol de 7/8 (society) e futebol de 11 | 40 – 60mm | 10 000 – 14 000 | Areia + granulado |
| Multiuso em relva | 20 – 40mm | 8 000 – 12 000 | Areia, granulado opcional |
| Padel | 12mm, fibra fibrilada | 8 000 – 9 000 | Só areia |
| Ténis | 15 – 25mm | 8 000 – 12 000 | Só areia |
| Hóquei | 12 – 20mm | Fibra curta e densa | Areia, ou sem enchimento e regado |
| Ráguebi de treino | 60 – 65mm | 12 000 – 16 000 | Areia + granulado |
Os valores de dtex são faixas de referência de mercado: a ficha técnica do modelo é que manda, e é nela que se confirmam também a densidade de pontos e o peso de fibra em gr/m². Para ler estes números sem margem para dúvidas, veja o que é o dtex e como ler uma ficha técnica.
Enchimento: areia, SBR, EPDM ou TPE
O enchimento não é um acessório do sistema: é parte dele. A areia de sílica arredondada, normalmente de 0,4 a 0,8mm, entra primeiro — estabiliza o tapete, dá-lhe peso e mantém a fibra vertical. O granulado de borracha vem por cima e é o que amortece o impacto das travagens e das quedas.
Em sistemas de 40 a 60mm, as quantidades de referência andam entre 10 e 20 kg/m² de areia e 6 a 10 kg/m² de granulado, formando uma camada de enchimento na ordem dos 30 a 40mm. É um valor que se confirma sempre na ficha do sistema, porque varia com a altura e a densidade do tapete. Sobre a escolha entre SBR, EPDM e TPE e sobre quando um relvado precisa de enchimento, os guias técnicos entram no detalhe.
Shock pad: quando compensa
O shock pad é uma camada elástica colocada entre a base e a relva, pré-fabricada em rolo ou aplicada in situ, tipicamente com 10 a 20mm. Melhora a absorção de impacto, mantém o desempenho quando o granulado compacta com o uso e é o que viabiliza sistemas com pouco ou nenhum enchimento. Tem norma europeia própria desde 2022, a EN 15330-4.
Acrescenta custo ao capítulo do piso, por isso a pergunta útil é quantas horas de jogo o campo vai ter por semana e quem o vai usar. Em campos com utilização intensiva, escolas ou formação de jovens, é um investimento que se paga em conforto e em vida útil do tapete.
EN 15330-1, FIFA Quality e FIFA Quality Pro
A EN 15330-1 é a especificação europeia para superfícies de relva sintética em futebol, hóquei, ráguebi de treino, ténis e uso multidesportivo; a EN 15330-4 cobre as camadas elásticas. As certificações FIFA Quality e FIFA Quality Pro são um nível acima: além dos ensaios de laboratório, exigem ensaio no campo já instalado. A edição de 2024 do manual de ensaios da FIFA duplicou para 6 000 ciclos o desgaste mecânico exigido aos produtos Quality Pro. O resumo das normas aplicáveis está em normas e certificações da relva sintética.
Um tapete certificado assente sobre uma base mal compactada não cumpre nada: os ensaios de absorção de impacto, de ressalto e de deslize medem o conjunto — base, camada elástica, relva e enchimento. Peça sempre os ensaios do sistema instalado, e não apenas a folha do fabricante da fibra. É também por isso que a preparação de base e drenagem entra na mesma proposta que o tapete.
Vida útil e o que a encurta
Um sistema desportivo bem instalado e mantido dura tipicamente 8 a 12 anos. O que decide a posição dentro dessa faixa não é a marca:
- Horas de utilização semanal — um campo com 50 horas semanais desgasta-se em cerca de metade do tempo de um com 15.
- Falta de escovagem — fibra deitada e compactada deixa de recuperar, e a perda é permanente.
- Granulado em falta nas zonas de mais jogo, o que expõe o backing e altera o amortecimento.
- Base com afundamentos — cada irregularidade concentra desgaste num ponto.
- Radiação U.V. — fibra sem tratamento adequado desbota, endurece e quebra.
A manutenção que evita a maior parte disto é simples e programável: manutenção de campos desportivos com escovagem mecânica e reposição do granulado nas zonas de maior uso.
Como escolhemos o sistema para cada campo
- Modalidade dominante e horas de utilização previstas por semana.
- Altura, dtex e densidade confirmados em ficha técnica, não em catálogo comercial.
- Enchimento definido em kg/m², com plano de reposição.
- Base e shock pad dimensionados em conjunto com o tapete.
- Ensaios e documentação do sistema instalado.
As nossas gamas de relva decorativa — Start, Prime, Deluxe e Exclusive, que pode ver em produtos de relva artificial — servem jardins, terraços e condomínios. Para campos, o material é específico e orçamentado à medida do projeto, normalmente em conjunto com a construção do campo.
Diga-nos a modalidade, a área e as horas de uso previstas e indicamos altura, enchimento e base adequados. Fale connosco pelo WhatsApp ou peça um orçamento.

